17 de agosto de 2008

Miuzíc

Penso que apenas duas coisas podem derrotar a lógica da racionalidade humana. A arte e os sentimentos. Dos sentimentos não falarei, que seria quase demasiado pretensioso da minha parte. Da arte ainda menos sei, mas do que sei sem dúvida que a música é o que mais derrota a minha lógica de racionalidade humana. Seja música clássica, jazz, pop... nada podemos fazer a partir do momento em que nos doma.

Sabem aquela música que mal ouvimos somos obrigados a acompanhar, seja a cantar também afinado ou não; ou aquela outra música que nos faz parar no meio do supermercado, em frente à outra casa, em pleno metro, especados para o nada; ainda tem aquela, mais perigosa, cujos primeiros dois acordes arrepiam-nos a superficie do corpo desde o topo do pescoço até ao fundo da espinha e mais além, pois sabemos que acordes vêm a seguir e estamos talvez num lugar não apropriado para despejar as nossas emoções mais privadas e ligeiramente vergonhosas do passado, ou do presente; ou talvez a outra que nos faz olhar para ela ou ele que esteja ao nosso lado, não interessa quem agora, com um toque de luxúria e desejo daqueles que se movem lentamente e olham pelo canto do olho; aquela música que nos lembra que devíamos estar noutro sítio qualquer; e a que conta a história das nossas vidas.

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